Volta às aulas: doenças oculares podem interferir no aprendizado escolar

Dores de cabeça, cansaço ocular ou mesmo visão turva são sintomas do uso prolongado de telas. Pais devem ter atenção com o bem estar ocular dos filhos.

A época de volta às aulas é sempre agitada para pais e crianças. São muitas preocupações, indo desde o material escolar aos horários a serem organizados. Porém, os responsáveis precisam estar atentos também à saúde ocular dos pequenos, que é, por vezes, deixada de lado. E “a presença de doenças oculares podem acabar interferindo no rendimento escolar da crianca”. É o que diz o oftalmologista e especialista em cirurgia refrativa, David Almeida, membro do corpo clínico da Clínica de Olhos Massilon Vasconcelos.

Durante a pandemia, foi muito divulgado acerca do aumento de casos de miopia entre crianças e adolescentes. Isso se deu pelas mudanças de comportamento que advieram do isolamento social, como o uso prolongado de telas (celulares, computadores, tablets, videogames). Com o retorno das atividades escolares, algumas ainda em formato remoto e outras presencialmente, cuidados devem ser tomados para que a saúde dos olhos seja preservada.

“O cenário pede que o uso de eletrônicos seja reduzido”, diz Dr. David. Mas, mesmo com o ensino à distância, o médico acredita que essa redução na utilização de telas possa acontecer. “É importante que os pais estejam atentos a utilização desnecessária de telas fora do horário escolar”, acrescenta.

Outra recomendação é que pausas sejam feitas. Para crianças, o oftalmologista indica que a cada 1 hora de tempo de tela, sejam feitas pausas de 10 a 15 minutos. “Mas vale ressaltar que o tempo gasto em uso de eletrônicos deve ser contado. Para crianças entre 6 e 10 anos, no máximo 2 horas por dia. Para os adolescentes entre 11 e 18 anos, até 3 horas dispendidas”, afirma. E o aconselhado é nunca “virar a noite” em frente às telas.

A luz azul artificial

Dr. David explica que a luz azul artificial, aquela emitida pelas telas, pode ser nociva à saúde ocular, se estendendo desde danos à retina até a qualidade do sono. “O hábito de ficar em frente aos eletrônicos durante a noite gera menos horas de sono, causando a redução da atuação do hormônio do sono, a Melatonina, diminuindo, consequentemente, a regulação do crescimento do olho, principalmente em crianças e adolescentes, resultando na miopia”, explica o médico.

Sintomas

Podendo variar, os sintomas vão desde visão turva, sensação de olhos secos, vermelhidão a dor de cabeça e cansaço ocular. “Essas consequências podem se estender até o pescoço e ombros, devido à má postura ou mesmo o mau posicionamento do eletrônico”, acrescenta o médico.

Para aqueles que retornam a presencialidade, é essencial que os responsáveis ouçam as queixas oculares com atenção e levem as crianças ao oftalmologista. “O rendimento escolar baixo, dificuldade para ler ou enxergar a lousa, tudo isso deve ser levado a um especialista para avaliar o caso”, explica Dr. David.

Ademais, outro cuidado necessário é que consultas oftalmológicas sejam feitas regularmente. Visitar um especialista e fazer exames de rotina possibilita a percepção precoce de doenças oculares em crianças.

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