A ‘cada um real investido, setor Audiovisual do Ceará retorna três vezes mais para economia’, aponta estudo inédito da Fipe

Encomendado pela Secult Ceará, pesquisa detalha os impactos dessa produção na geração de empregos, desenvolvimento e geração de riqueza no estado

 

Exibição do curta-metragem “Ponto Cego” (do Programa Directors’ Factory Ceará Brasil) no 35º Cine Ceará  Foto: Luiz Alves 

A cultura Audiovisual cearense vive um momento especial em 100 anos de história. Produções assinadas por nossos talentos circulam pelo mundo. Esta rica e potente indústria abrange a produção de filmes, séries, games, TV aberta, publicidade, serviços de streaming e muito mais.

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O audiovisual preserva a memória, imortaliza e divulga nossas histórias. Contribui à construção da identidade cearense e fortalece a cidadania cultural. Além da riqueza simbólica, para cada R$1 real investido, o setor Audiovisual cearense retorna R$3,10 à economia.

É o que aponta o estudo “Pesquisa de impacto socioeconômico do setor audiovisual do Estado do Ceará”. Resultado dos investimentos do Governo do Ceará em audiovisual, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), a pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) objetiva entender o impacto desta área na geração de riqueza e desenvolvimento da economia cearense.

→ Acesse o estudo completo aqui.

Comparado a outros setores da economia no estado, o retorno de R$3,10 situa o audiovisual em posição de destaque. No mesmo apurado de 2019, esse valor é superior, por exemplo, ao setor de Agricultura (que rende o retorno de R$ 2,05) e se aproxima de outras áreas como confecção de artefatos do Vestuário e Acessórios (com R$ 3,51) e Construção (com R$ 3,24).

O estudo foi divulgado no último dia 3 de setembro, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), durante audiência sobre a implantação da “Ceará Filmes”. O encontro reuniu diferentes representações do Poder Público, Organizações Sociais, profissionais e associações da área.

Audiência pública sobre a implantação da “Ceará Filmes” Foto: Lucas Calisto

A pesquisa divulgada é parte de uma série de ações e interlocuções protagonizadas pela Secult Ceará, por meio da Coordenadoria de Cinema e Audiovisual (CCAVI), nos últimos anos. Esta dinâmica inclui agenda de reuniões com o setor, criação de Grupo de Trabalho, realização do “Seminário Ceará Filmes” e contratação de consultoria externa especializada.

A secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, destacou a relevância do inédito estudo. “Na área da Cultura, os dados contribuem para entendermos nosso campo e desenhar melhor nossas políticas. Em que elos da cadeia esse fomento tem que se dar. Quais estratégias. Quais são as metas, as responsabilidades do setor na construção das carreiras e estruturação do setor”.

Mercado de trabalho

A pesquisa traça um diagnóstico abrangente dos benefícios econômicos, o valor da produção, o valor adicionado (PIB), os salários pagos, os impostos arrecadados e o número de empregos gerados. Reúne também informações sobre o perfil socioeconômico das trabalhadoras e trabalhadores da área.

→ Das 12.796 ocupações observadas durante o estudo, 64% são empregos formais e 36% informais.

→ 64% dos trabalhadores do audiovisual possuem ensino superior completo.

→ Outro dado aponta que 62% destes profissionais se autodeclaram pretos, pardos e indígenas.

→ Já o perfil ocupacional revelou predominância masculina (74%).

Geração de empregos

A indústria audiovisual impulsiona uma vasta cadeia econômica. Diretamente, gera renda por meio da venda e licenciamento de conteúdos, bilheteria e assinatura de serviços. Cria empregos em áreas como direção, atuação, edição, som, efeitos visuais, figurino, produção executiva, design de jogos e administração cultural.

Indiretamente, estimula setores que fornecem bens e serviços essenciais. São áreas que formam a base da infraestrutura necessária para que a cadeia audiovisual funcione plenamente. “Para cada R$ 1 milhão investido em audiovisual, criam-se 31,4 novas ocupações”, afirma o trabalho da Fipe.

Programa Directors’ Factory Ceará Brasil no 35º Cine Ceará  Foto: Luiz Alves 

“O setor de audiovisual, dado o nosso resultado, é muito relevante para aqueles setores considerados não transacionáveis, como, por exemplo, comércio local, setor de alimentação, o setor de hospedagem, transporte, aluguel de equipamentos, que depende justamente dessa proximidade geográfica”, destacou o pesquisador Fernando Perobelli, da Fipe.

A força do setor audiovisual

O setor audiovisual abrange desde a produção de conteúdos originais (filmes, séries, animações, jogos eletrônicos e vídeos para plataformas digitais) até a circulação dessas obras em mercados locais e internacionais.

Estas obras estão nas salas de cinema do Brasil e do mundo. São exibidas nas plataformas de streaming sob demanda. Há espaço também nas emissoras de televisão, bem como mostras independentes, centros culturais e festivais temáticos. Além disso, o campo audiovisual incorpora cada vez mais os jogos digitais como vertente expressiva do setor.

Audiovisual também traz inovação. A demanda constante por novas formas de contar histórias estimula o desenvolvimento de tecnologias, ferramentas de edição e desenvolvimento de programas (softwares). “É um setor onde criatividade e engenharia caminham juntas, abrindo espaço para startups e laboratórios experimentais”, completa o estudo.

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