Profissionais de hotelaria serão testados como medida de biossegurança, diz Setur
O debate foi mediado pela editora-chefe de O Otimista, Nathália Bernardo, e contou com a participação do titular da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur), Arialdo Pinho, do diretor comercial do Beach Park Entretenimento, Felipe Lima, do deputado federal e membro da Comissão de Turismo da Câmara Federal, Eduardo Bismarck, e do gerente de contas Air France KLM, Paulo Ricardo Lobão.
De acordo com Arialdo Pinho, a testagem deve começar daqui a 10 ou 15 dias. Na próxima segunda-feira, haverá reunião do titular da pasta com representantes da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH) no Ceará para definir o início dos testes nos hotéis de Fortaleza. Após a testagem na capital, a ideia é estender o protocolo para localidades que atraem mais turistas e visitantes cearenses no Estado, por região. “Icaraí de Amontada, Guajiru, Canoa Quebrada, Jericoacoara, Camocim, Ubajara estão entre os contemplados. Faremos os testes por regionais, em parceria com prefeituras e secretarias de turismo dos municípios”, esclarece.
Segundo o secretário, a estratégia é depois fazer a testagem junto a estabelecimento de alimentação for a do lar. “Depois vamos analisar fazer o mesmo em taxistas, (motoristas) de Uber, empresas de transporte. Estamos elencando, mas vamos começar pelos maiores, que são a rede hoteleira e em seguida restaurantes”, antecipa. Arialdo Pinho informa que todos os passos serão dados com cautela. “Vamos retornar, mas vai ser mais lentamente do que é a ansiedade da gente. Temos que ter o controle da pandemia no Ceará. Sabemos como expandir o mercado, como fazer publicidade, mexer as peças, mas não vamos fazer assim. Não sabemos quanto tempo essa pandemia vai durar. Queremos conviver com a comunidade em segurança”, diz.
Prova disso é que o secretário não almeja, pessoalmente, qualquer perspectiva de festa de Réveillon público no Ceará. Atualmente são autorizados eventos fechados com 200 pessoas u em ambientes abertos com 300 participantes. Como não se sabe a liberação para as próximas semanas, a perspectiva hoje é que o Ano Novo seja comemorado com festas mais intimistas em lugares fechados, com público restrito ao que for autorizado à época. “Talvez 2022, 2023”, sugere.
Em anos estáveis, o Ceará recebia 3,5 milhões de turistas nacionais e 500 mil de internacionais. Antes eram 4.000 voos nacionais mensais que chegavam ao Ceará. Hoje são cerca de 850, menos de 25% da movimentação antes da paralisação das atividades. Sobre os hotéis, alguns destinos operam com 45% de ocupação no fim de semana. “O ideal seria 65% a 75%, porque é só no fim de semana praticamente”, avalia Arialdo Pinho.
Além disso, os voos internacionais agora que estão retornando. A TAP opera com dois semanalmente – antes eram sete – e hoje a Air France inicia operação no Ceará. Já a KLM volta somente em 2 de abril. Atualmente são cinco voos internacionais por semana, enquanto antes da pandemia eram 48. Segundo Paulo Ricardo Lobão, a aviação civil internacional, no início da crise de saúde, chegou a operar com 3% a 5% da sua capacidade. Em agosto, o índice era de 40%. Até o fim de dezembro, a expectativa é chegar aos 60% – no caso da companhia, com 25 voos semanais operando no país. Hoje sai de Fortaleza um voo para Paris com retorno amanhã. “Nas duas primeiras semanas, será um voo semanal. A medida que a demanda for se fortalecendo, a gente vai aumentando, mas com muita cautela, sem pressa”, ressalta.
Como informa o gerente de contas Air France KLM, como as fronteiras brasileiras ainda estão fechadas, a maior parte dos passageiros são brasileiros com dupla nacionalidade e europeus voltando para seus países de origem. “A abertura da fronteira para o estrangeiro vir ao Brasil é um passo importante que pode trazer mais turistas para o Nordeste e Brasil, mas tudo no seu tempo”, pondera, acrescentando que é preciso aguardar a evolução da vacina. Tanto que nenhuma divulgação de destino está sendo feita pela companhia e não há previsão de promoções tarifárias, que estimulam as viagens.
Paulo Lobão projeta que a aviação comercial volte aos níveis pré-pandemia somente em 2023, início de 2024. Contudo, a expectativa imediata para o Ceará é positiva, pois o segundo semestre atrai o turista que pratica kitesurfe devido à temporada de ventos e aquele visitante que quer fugir do inverno europeu. “Só no início de janeiro teremos uma ideia melhor de como o setor vai se comportar, à medida que as fronteiras reabram e que a perspectiva de vacina avance”, diz.
O secretário Arialdo Pinho acredita que a retomada do setor seja das mais lentas na economia, o que é necessário para o próprio trade turístico. Com a certificação do selo de segurança global ‘Safe Travels’, do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês), a testagem em trabalhadores do trade e a aplicação rigorosa dos protocolos de biossegurança, o secretário espera que o Ceará se fortaleça como destino seguro para o turismo nacional e internacional. “Ainda temos um caminho longo, temos autorização de uso do selo, de publicidade, mas só vamos divulgar quando soubermos que estamos aptos a fazer turismo. Queremos fazer turismo no Ceará, mas com segurança completa”, frisa.
O deputado federal Eduardo Bismarck apresentou ao Ministério do Turismo proposta de criação de um selo nacional, semelhante ao Safe Travels. Para ele, cada vez mais o turista fará suas escolhas com base na segurança sanitária do destino em relação à covid-19. “Nesse momento do turismo redescoberto e de curta distância, o selo viria para agregar, porque o turista opta pelo lugar mais seguro, mesmo que ele já conheça o destino”, diz. A proposta do selo nacional inclui ainda a exigência de treinamento de pessoal e averiguação das medidas sanitárias para que o local receba aporte de recursos para investir no setor.
Recebendo mais o público cearense e fortalecendo as relações com o Norte e Nordeste, o Beach Park Entretenimento passa por mudanças na estratégia de atuação e no relacionamento com o cliente. Desde que reabriu, o complexo registra aumento de 9% para 29% de visitantes com Beach Card. Nos quatro hotéis do grupo e no parque, o crescimento do turista do Nordeste é de 30% e, do Norte, de 45%, mesmo com o funcionamento das estruturas ainda limitados aos protocolos estaduais de segurança sanitária.
Segundo o diretor comercial do complexo, Felipe Lima, os hotéis estão funcionando com 60% da capacidade e o parque, com 30%. “Isso naturalmente diminui o número de pessoas no mesmo espaço”, avalia. Entre as medidas adotadas, algumas Lima já vê como permanentes, como o fim do ingresso impresso, o cardápio digital e o fortalecimento das vendas pela internet. Hoje só entra no parque aquático quem compra ingresso antecipadamente e agenda a visita. “Não é simples, mas é um processo essencial. A gente passa para o turista uma mensagem de segurança e preocupação com a segurança dele aqui no destino”, justifica.
Antes 5% do público do complexo eram turistas estrangeiros. Hoje o índice é zero. Contudo, se mantém a participação forte do turista do Sudeste e Sul do país. “Hoje claramente o cearense assume o protagonismo no parque. Mas 37% dos hóspedes dos quatro hotéis são do Sudeste, principalmente. É natural, mesmo que a gente não faça campanha em massa, como agora”, aponta.
Segundo Felipe Lima, a sinalização de vendas futuras está parecida com as de 2019, no caso da hotelaria. A estratégia agora é fortalecer Norte e Nordeste e fidelizar o cliente do Sul e Sudeste, com base na segurança sanitária. “A gente sempre foi um complexo do residente. Operação de praia hoje tem muito mais o público residente. É uma redescoberta do lugar onde a gente mora”, frisa.