Museu da Fotografia Fortaleza (MFF) comemora oito anos com exposição do italiano Tommaso Protti

 

“Terra Vermelha” apresenta um retrato realista da Amazônia contemporânea, evidenciando as atualidades diárias dos direitos humanos, histórias de resistência e a complexidade de um território em constante disputa

Já se passaram oito anos desde a inauguração do Museu da Fotografia Fortaleza (MFF), no dia 10 de março de 2017. O espaço foi criado com a missão de democratizar o acesso à fotografia e compartilhar um dos maiores acervos do país, a Coleção Paula e Silvio Frota. Para comemorar esses dados, o equipamento apresenta a exposição “Terra Vermelha”, do fotojornalista italiano Tommaso Protti, com o apoio da Fundação francesa Carmignac. A abertura será neste sábado (22/03), a partir das 10h. Programação gratuita.

“Terra Vermelha” é uma obra de fotografia documental que reflete uma década de jornalismo investigativo de Tommaso Protti, percorrendo os nove estados da Amazônia Legal. A mostra apresenta um retrato realista da floresta, sem idealizações, por meio de 94 fotos que revelam a Amazônia contemporânea, evidenciando a atualidade dos direitos humanos, histórias de resistência e a complexidade de um território em constante disputa.

O título faz referência ao solo vermelho típico da região, mas também simboliza a violência presente na exploração de recursos naturais, no desmatamento e nos numerosos conflitos sociais locais. “Longe da ideia de um paraíso intocado, a Amazônia contemporânea padece de questões históricas, como o garimpo ilegal, grilagem, tráfico de drogas e crimes ambientais. Além disso, enfrenta o crescimento rápido de periferias e favelas desassistidas, com saneamento precário, falta de acesso à saúde, moradias fechadas, pobreza e violência urbana”, denuncia Tommaso Protti.

A série apresenta fotografias que abordam diversos contextos políticos, desde áreas rurais devastadas pelo desmatamento e marcadas por conflitos entre pecuaristas, camponeses sem terra e ativistas ambientais, até cenas urbanas de operações policiais em favelas, evidenciando a escalada da violência ligada ao tráfico de drogas. Outras imagens mostram o crescimento da religião evangélica e os impactos devastadores da pandemia de COVID-19.

O público de Fortaleza também terá a oportunidade de ver imagens do garimpo ilegal, da crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, das operações das forças especiais e dos impactos do assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira.

“A partir de histórias pessoais, apresenta um panorama amplo e complexo do território, explorando conexões, significados e conflitos. Mais do que um trabalho sobre a natureza, é uma investigação sobre a natureza humana, revelando as contradições entre a exploração e a busca por dignidade”, afirma.

SOBRE TOMMAZO PROTTI

Tommaso Protti, nascido em 1986, é um renomado fotógrafo e jornalista italiano que vive em São Paulo. Sua trajetória na fotografia começou em 2011, quando já se formava em Ciência Política e Relações Internacionais, em Roma. Desde então, ele tem se destacado pelo trabalho que aborda questões como conflitos, violência, meio ambiente e desigualdade social.

Sua obra é extremamente reconhecida e já ocupou espaços como a Saatchi Gallery, de Londres, a Maison Européenne de la Photographie, em Paris, o Museu Mattatoio, em Roma, e o Museu Benaki, em Atenas. Também teve publicações em veículos de destaque, como The New Yorker, The New York Times, Time Magazine, National Geographic, Washington Post, Geo Magazine, Newsweek, Internazionale, Der Spiegel e The Guardian.

Em 2019, foi agraciado com o Prêmio Carmignac de Fotojornalismo, além de ter recebido honrarias de organizações renomadas, como Picture of the Year International, American Photography, Getty Images Reportage Grant e World Report Award.

Atualmente, Tommaso é colaborador regular do The Wall Street Journal e do Le Monde, além de trabalhar em parceria com organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas (ONU).

SOBRE O MUSEU DA FOTOGRAFIA FORTALEZA

Inaugurado dia 10 de março de 2017, o MFF mantém dois andares de acervo fixo e um outro que recebe provisões temporárias. Compreendendo sua função social para além do espaço expositivo, mantém os projetos Museu nos Bairros e Museu no Interior, que já visitaram diversas comunidades, levando teoria e prática sobre o mundo da fotografia.

O equipamento realiza ainda uma série de ações para divulgar novos talentos e promover a fotografia, a partir de cursos e visitas guiadas para a terceira idade, e de workshops e workshops voltados a artistas, estudantes e educadores – resultado de sua proximidade com as Secretarias de Cultura (Secult), de Turismo (Setur) e de Educação do Estado (Seduc), e das Secretarias Municipais da Educação (SME), de Turismo (Setfor) e de Cultura de Fortaleza (Secultfor).

O MFF também tem uma equipe de ensino formada por alunos dos cursos de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade de Fortaleza (Unifor), Pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), Artes Visuais do Instituto Federal do Ceará (IFCE), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Estácio e Escolas Técnicas do Governo do Estado.

OUTRAS MOSTRAS

Além de Terra Vermelha, é possível visitar, também “A Máquina do Tempo”, exposição de longa duração do MFF, que tem curadoria de Denise Mattar e conta com cerca de 300 obras, entre fotos antigas e contemporâneas da Coleção Paula e Silvio Frota, vídeos, gravações, câmeras fotográficas, objetos, e algumas propostas de interação com o público. A fotografia como mudança da visualidade humana e transformação da arte são os eixos que conduzem à mostra, que ocupam dois andares do museu.

SERVIÇO:

Exposição Terra Vermelha (Tommaso Protti)

Abertura: 22/03(Sábado)

Horário: 10h

Local: Museu da Fotografia Fortaleza

Endereço: Frederico Borges, 545 – Varjota

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