MIS CE é uma das instituições palestrantes em Cannes sobre obras imersivas na América Latina
A diretora do MIS, Natasha Faria (primeira à esquerda), foi uma das participantes convidadas e apresentou a experiência do Museu da Imagem e do Som do Ceará em evento sobre mercado imersivo. A mesa contou, ainda, com María Silvia Esteve (Argentina) e Florencia Larrea (Chile)
O Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS CE) foi a única instituição do Brasil convidada para participar de palestra realizada em Cannes sobre o papel dos espaços culturais da América Latina na distribuição de artes imersivas. A instituição foi representada pela diretora do MIS CE, Natasha Faria, na palestra desta quarta-feira, 20 de maio, durante o encontro de curadores de artes imersivas em Cannes (Curators Network), que é organizado pelo Marché du Film, maior feira e mercado de negócios da indústria cinematográfica mundial. O MIS CE faz parte da Rede Pública de Equipamentos Culturais da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, com gestão do Instituto Mirante de Cultura e Arte.
A programação da qual o MIS CE fez parte contou também com as presenças de María Silvia Esteve, fundadora e presidente da Hana Films (da Argentina), e Florencia Larrea, curadora de XR (realidade estendida), produtora executiva e co-diretora da 500 Nanómetros (do Chile). A mediação foi feita por Mathieu Gayet, gerente do Mercado Imersivo do Marché du Film.
Para Natasha Faria, a participação do MIS CE no Curators Network propiciou o diálogo com outras instituições e profissionais que estão criando obras imersivas e realizando eventos relacionados ao tema, como festivais internacionais de artes imersivas. Além disso, foi possível traçar um panorama para representantes de todo o mundo sobre o que é realizado pelo MIS CE por meio de políticas públicas. “Momentos como este do Curators Network em Cannes garantem ao MIS CE um diálogo rico sobre as possibilidades de parcerias internacionais e, ao mesmo tempo, nos dão a dimensão do destaque e do reconhecimento que o museu alcançou nessa área”, avaliou Natasha Faria.
O museu cearense vem desenvolvendo obras imersivas desde a ampliação e reabertura, em março de 2022, graças ao investimento em políticas públicas de fomento à cultura. Durante a palestra, houve participação de pessoas e instituições interessadas e debate sobre o mercado de artes imersivas na América Latina.
As participantes abordaram o papel que os espaços culturais latino-americanos podem desempenhar no futuro da distribuição imersiva e as estratégias de circulação internacional, incluindo esses locais. Para a organização do evento, os espaços culturais latino-americanos “representam ecossistemas ativos de exibição, desenvolvimento de público e diálogo artístico” e o cenário atual aponta para uma necessidade mais ampla de repensar como as obras imersivas circulam para além dos centros habituais de visibilidade.
Sobre o Curators Network
De acordo com o site oficial do evento, o Curators Network é uma “rede exclusiva composta por um grupo cuidadosamente selecionado de curadores de museus de destaque, instituições culturais e espaços de entretenimento temático, em busca de experiências imersivas inovadoras”.
O MIS CE participa como uma das instituições convidadas da iniciativa realizada pelo Festival de Cannes que busca acelerar oportunidades de distribuição para a arte imersiva. Estão sendo realizadas rodadas de apresentação de ideias, workshops e eventos exclusivos de networking que foram pensados para conectar criadores e detentores de portfólios imersivos.
As experiências de arte imersiva, instalações e demonstrações selecionadas para a competição imersiva em Cannes abrangem uma ampla variedade de temas e de países. As obras contemplam abordagens como ciência e história, impacto social, natureza e meio ambiente, lazer e jogos, música e arte experiencial. As propostas também envolvem diversas tecnologias, desde inteligência artificial a computação espacial (realidade virtual, realidade mista, video mapping e áudio 3D binaural). Estarão representados no evento países como Taywan, Chile, Reino Unido e Estados Unidos.
O Museu da Imagem e do Som do Ceará já conta com editais como o OcupaMIS Multilinguagem, o Ateliê de Criação – Tecnologias Transvestigêneres e o Conexão Criativa. Essas iniciativas têm ampliado as possibilidades de criação artística e de realização de obras imersivas que exploram o diálogo entre arte e tecnologia.
A sala imersiva do MIS conta com oito projetores de 10.000 lúmens e dois projetores de 20.000 lúmens. O equipamento é conectado a uma central de controle que manipula imagens 360º, ou seja, elas são projetadas nas quatro paredes e no piso. O sistema também possui áudio de alta definição para imersão completa. O MIS CE desenvolveu e exibiu na sala imersiva obras como Apenas lembranças que eu tinha de lá, Aves do Ceará, Ontem Choveu no Futuro e Fragmento-Kymera.
Sobre as participantes
Natasha Faria
Diretora do MIS CE
Graduada em Dramaturgia, mestra em Estudos Teatrais e doutoranda em História com foco em políticas públicas para as artes pela Universidade Sorbonne Nouvelle. Foi superintendente do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e coordenadora na Escola Porto Iracema das Artes.
María Silvia Esteve
Produtora / Artista
HANA Films
Fundadora e presidente da HANA Films, liderada por mulheres. Seu primeiro documentário, Silvia (2018), estreou no Festival Internacional de Cinema Documentário de Amsterdã (IDFA). Criatura (2021) venceu o Pardino d’Oro em Locarno e foi exibido em mais de 100 festivais. The Spiral (2022) estreou em Cannes e no MoMA, e seu segundo longa-metragem, Malin, estreou no IDFA 2025.
Florencia Larrea
Programadora
500 Nanómetros
É curadora de XR (realidade estendida) e produtora executiva. Atua na curadoria e programação de obras imersivas, conectando criadores internacionais de XR ao público da América Latina. É co-diretora da 500 Nanómetros e produtora executiva do Mediamorfosis Chile, principal festival da região dedicado à mídia imersiva e às novas formas de narrativa.



