Ceará investe em promoções para ser um dos principais destinos turísticos da América do Sul
A cada semana, os índices da pandemia têm apresentado queda, no Brasil e no Ceará, especialmente. Esse panorama traz mais confiança para o setor turístico de um reaquecimento das atividades ligadas a hotéis, bares e restaurantes no Estado, visto que há condições mais seguras para que os turistas visitem nossos destinos turísticos, destacadamente os de litoral e serra. Ainda que alguns integrantes do setor projetem uma vinda mais intensa de turistas apenas para o próximo ano, a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) já está trabalhando na promoção do Ceará em eventos e feiras pelo Brasil e no exterior.
Estamos desenvolvendo ações para quando o mercado voltar à normalidade, estarmos consolidados, com operadores turísticos como destino na América do Sul. Nossa expectativa é que a retomada do turismo internacional deva acontecer em 2022”, diz Arialdo Pinho, titular da Secretaria do Turismo do Ceará (Setur).
Em 2019, tivemos mais de 500 mil estrangeiros no Ceará, o que representou cerca de 10% do turismo brasileiro. Estamos trabalhando para voltamos fortes no setor exterior e também no nacional, a partir de 2022”, reforça.
Projetando as próximas férias de verão no Brasil, a Setur começou a divulgar alguns dos principais destinos cearenses nos Estados Unidos. Workshops em nove cidades da Costa Leste daquele país vão receber stands com informações sobre atrações turísticas, começando por Nova York. Mas a divulgação também acontecerá na Europa, com a participação da Setur no evento Road Show, previsto para 2022.
Divulgação
Para o economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), essas ações de divulgação são muito importantes para despertar no público de outros países a vontade de nos visitar. “É preciso mostrar a redução de casos de covid-19 no Estado, os protocolos que estão sendo tomados aqui, e apresentar o litoral, a serra, as características do nosso turismo, para aquelas regiões que não têm tanto conhecimento sobre as nossas atrações. Uma das estratégias é focar essas ações de divulgação nos países que estão com menos restrições a viagens ao Brasil, pois, nesses casos, a saída e a volta para casa dos turistas fica facilitada”, observa.
Em alta
Além dessas ações de divulgação por parte do Governo do Estado, a alta na ocupação dos hotéis de Fortaleza em julho aumenta a expectativa pela recuperação do setor. “Encerramos o mês com 65% de ocupação em Fortaleza. Ainda é abaixo dos 77% de julho de 2019, mas é um número acima dos 55% que estávamos projetando. Com o andamento da vacinação e a diminuição dos números da covid-19 no Ceará, o mercado doméstico vai reagir mais rapidamente do que o internacional. Para que o turismo externo retorne, precisamos de mais voos para cá, que as pessoas estejam mais confiantes para viajar e que essas variantes, como a delta, estejam controladas”, analisa Régis Medeiros, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE).
Quanto ao aumento das rotas aéreas para o Ceará, a Air France-KLM anunciou oficialmente que pretende retomar a rota entre a capital cearense e a Europa em outubro. Para este mesmo mês, a Gol projeta reativar a linha Fortaleza-Miami e, em janeiro do ano que vem, para Buenos Aires e Orlando.
A pandemia ainda dificulta a retomada do setor, enquanto os índices não estiverem bem controlados no Brasil e no mundo. Esperamos que isso ocorra ao longo do segundo semestre e que possamos pensar no início de 2022 com uma maior normalidade no fluxo de turistas internacionais. Por isso, o foco da ABIH, neste momento, é no turismo nacional”, reforça Régis Medeiros. Ações são fundamentais para atrair turistas estrangeiros
Se no Brasil as praias cearenses há anos estão entre as mais procuradas pelos turistas como destino de férias, o mesmo não acontece no exterior. Por isso, ações de divulgação do Estado em feiras e eventos internacionais são muito importantes para ampliar o número de visitantes, defende Régis Medeiros.
4O Ceará ainda é muito pouco conhecido no exterior. Na verdade, o Brasil todo: estamos há uma década estancados nos 6,5 milhões de turistas estrangeiros por ano. E a maioria deles vem dos países da América do Sul. Temos um longo caminho a percorrer. Por isso, precisamos investir em divulgação, ‘fazer barulho’ no exterior para mostrar que estamos vivos e prontos para recebê-los”, reforça o presidente da ABIH-CE. “Aposto muito mais no turista europeu, que gosta muito mais da nossa proposta, tanto que o nosso litoral, há anos, recebe centenas de turistas para a prática do kitesurf, nas nossas pousadas e nos nossos hotéis”, observa.
Segundo o Anuário Estatístico de Turismo 2020, da Coordenação-Geral de Dados e Informações do Ministério do Turismo, o país recebeu 6,353 milhões de visitantes vindos de outros países em 2019,queda de 4% na comparação com 2018 (6,621 milhões).