Recuperação das dunas de Jeri está orçado em R$ 2,87 milhões
Com paredes de palha formando o caminho natural do vento e vegetação plantada em pontos estratégicos, expectativa é que, um ano após a conclusão dos trabalhos, o processo de sedimentação no corredor eólico ocorra de forma natural e sem intervenção humana. Desse modo, a areia é transportada até a duna, favorecendo a coexistência desse ambiente e reduzindo a crescente erosão e o déficit sedimentar. O projeto está orçado em R$ 2.872.948,73, sendo que a maior parte (R$ 1.217.835,48) seria utilizada para a execução dos trabalhos na Área de Estabilização de Dunas (AED).
Essa atividade inclui plantio de grama; aquisição de palha de coqueiro, seguida de implantação no solo em fileiras espaçadas de 2 metros, como se fosse uma cerca viva; revolvimento manual de solo, com profundidade de até 20 centímetros; carga manual de terra em caminhão basculante; transporte local; e irrigação com carro pipa.
Os conjuntos projetados de Estruturas Guias de Corrente Eólica (EGCE) deverão ser instalados nas áreas de maior fluxo de sedimentos, redirecionando as areias na direção dos corredores eólicos existentes, até alcançarem e serem depositadas nas áreas estabelecidas no projeto, sendo finalmente transportados até a Duna do Pôr do Sol, completando o ciclo natural de transporte sedimentar existente.
O segundo maior montante (R$ 677.029,85) seria para a estrutura guia de corrente eólica, que representa o redirecionamento do vento. Para isso, seria colocada uma cerca com estacas de madeira certificada de reflorestamento e realizada escavação manual de valas. Nesse caminho, seriam colocadas as mantas de direcionamento e contenção, feitas de tela de nylon, de palha de coqueiro trançada ou biomanta. Outros R$ 110.070,60 seriam utilizados para monitoramento e R$ 59.409,90, para sinalização.
O projeto prevê ainda investimento em educação ambiental para a população local, turistas e visitantes, capacitação de agentes multiplicadores, visitas guiadas com técnicos, acompanhamento técnico por pelo menos um ano após finalizada a execução dos trabalhos e confecção de material de apoio e de divulgação. A técnica sugerida já foi utilizada no Ceará, inclusive em Fortaleza.
O manejo de areias de praia e de dunas móveis já foi feito no Serviluz, entre 1996 e 1999; na Praia do Pecém e nas Dunas de Paracuru, entre 1992 e 1994; e na Vila do Mar, de 2010 a 2016.
De acordo com o projeto relativo a Jeri, em todos esses projetos verificadas viabilidades técnica, econômica e ambiental no manejo para “recuperação das áreas litorâneas em processo de degradação ambiental progressiva”. À época, ainda conforme o projeto, foram estabilizados os ambientes de praia e dunas, reduzindo de imediato os incômodos causados à população e os custos da administração pública com a manutenção da infraestrutura urbana.
O estudo constata ainda que a duna não está sendo alimentada com uma carga sedimentar suficiente para repor a perda anual. Isso porque parte dos sedimentos se perdem no transporte eólico, pela ação antrópica e, principalmente, pela atividade das ondas nas grandes marés. Em maio de 2017, o volume da duna foi avaliado em 1.045.387,522m³ de sedimentos. O cálculo foi feito a partir da análise 34 pontos georreferenciados em 15 perfis diferentes da duna. Só entre fevereiro e maio daquele ano, o volume caiu 0,789%.
Nessa época do ano, quando começa o período dos ventos fortes, o desgaste é ainda mais rápido. Pelo estudo apresentado no Projeto de Recuperação Ambiental da Duna do Pôr do Sol, a deterioração em março, abril e maio, períodos de chuva, correspondente a 1,08% por mês. Por ano, entre 2010 e 2017, a redução média atingiu 4,945%. “Previmos uma média maior no segundo semestre do ano, quando há maior energia no transporte eólico e a duna avança mais rapidamente em direção ao mar, onde será ainda mais consumida pelas ondas”, alerta o estudo. “O problema não é o peso das pessoas sobre a duna, é a corrente do vento que bate em cima da duna dia e noite. Estamos lutando para conseguir algo que trará um impacto ambiental imediato”, defende do titular da Setur, Arialdo Pinho.
O Parque Nacional de Jericoacoara dispõe de área de 8.416,08 hectares e envolve toda a Área Diretamente Afetada (ADA) do projeto, sendo considerada uma das Unidades de Conservação com alta prioridade no país. A criação da UC é subsidiada pela Política Nacional de Biodiversidade na Zona Costeira. A ADA do projeto está representada pela planície costeira de Jericoacoara, envolvendo a vila, as dunas mais próximas, a trilha do Preá e apenas uma pequena parte da Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral denominada Parna de Jericoacoara.
Fonte: OOtimista



