Pratos típicos do Ceará e do Maranhão serão apresentados no IV Festival Noites Brasileiras
Uma das novidades é a participação online do Chef Edilberto Costa, que ensina duas receitas tradicionais, uma do Ceará e uma do Maranhão.
Um encontro afetivo entre as culturas do Ceará e do Maranhão vai marcar o IV Noites Brasileiras – Festival Multicultural do Brasil, que acontece nesta sexta e sábado, dias 24 e 25 de junho, na Praça Verde e no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Além de shows, performances, teatro e painel, o evento também contará com uma feira de economia criativa com 10 estandes e um espaço de gastronomia. O acesso é gratuito, com distribuição de ingressos na bilheteria do Planetário a partir das 14 horas da véspera de cada dia de programação.
Na gastronomia, o público terá opções como pratos típicos do Poço da Draga e pizzas da Mr. Thi, entre outras gostosuras. Entre os destaques, as chefs Rosimeire Barbosa e Samya Kássia, da Barraca Delícias da Rose, do Poço da Draga. Para o Noites Brasileiras vão preparar pratinhos de vatapá de frango (com arroz e paçoca), vatapá de camarão (com arroz e paçoca), arroz de cuxá, creme de frango, creme de camarão, escondidinho de carne de sol, bolinha de peixe, bolinha de carne de sol, macaxeira frita e batata frita.
Uma novidade da área gastronômica será a participação virtual do chef Edilberto Costa, professor e proprietário do Espaço Gastronomia Edil Costa. Ele preparou duas receitas tradicionais, uma do Ceará e uma do Maranhão, mostrando o passo a passo. Ele ensina a receita do Baião de Dois Cearense e da Peixada Maranhense. Sobre o surgimento do baião de dois, o chef explica: “O baião de dois nasceu no sertão do Ceará. Com a escassez de comida por conta da seca, o sertanejo juntava carne seca, queijo coalho e manteiga de garrafa adicionado ao feijão verde e arroz. Era um prato farto que preparava o homem para o trabalho árduo do dia”. O prato ganhou o Nordeste com variações diferentes, com torresmo, linguiça, entre outros ingredientes. “A diferença do baião cearense está na cremosidade oriunda do uso do queijo coalho e da manteiga de garrafa. Em alguns casos usa-se requeijão cremoso”, explica.
Sobre a gastronomia maranhense, Edilberto Costa conta que a riqueza de ingredientes que essa cozinha oferece deve-se às influências indígenas e portuguesas. “O uso de ervas como o cuxá, os peixes frescos de água salgada e os frutos do mar estão bem presentes na mesa dos maranhenses. Isso nos dá a possibilidade de criarmos uma variedade imensa de receitas”, diz. Para o chef, o prato que mais representa o Maranhão é o arroz de cuxá. “É um prato que faz parte do dia a dia nas mesas das famílias maranhenses e que eles servem aos turistas com muito orgulho”, conta. No Noites Brasileiras, Edilberto vai ensinar a preparar a Peixada Maranhense. “Escolhi um prato que retrata bem a similaridade gastronômica entre o Maranhão e o Ceará. Geralmente feita com pescada amarela e um cítrico de limão, a Peixada Maranhense tem a sua origem nos costumes dos índios, mas nos remete também às caldeiradas portuguesas. Assim como a peixada cearense, essa do Maranhão leva um ovo cozido na sua composição”, explica.
TERRITORIALIDADE GASTRONÔMICA
No painel que acontecerá no sábado pela manhã, às 9h30 no Teatro Dragão do Mar, o festival discute sobre “O futuro dos festivais: relação do artista com os territórios”. No campo da gastronomia, Edilberto também vê a importância da territorialidade. “A alimentação sempre constituiu um produto da relação do homem com o seu meio, as cozinhas regionais são exemplos mais sólidos da importância da territorialidade gastronômica. Ela apresenta não só ingredientes e sabores próprios de uma localidade, mas os apresentam a partir de uma lógica própria de técnicas de produção, preparo e serviço que transmitem valores e tradições de um determinado contexto cultural. Dessa forma, a territorialidade gastronômica se constrói na medida em que uma determinada região se torna intimamente associada a um conjunto culinário, fazendo com que a menção de uma determinada iguaria remeta a ideia que se tem de uma região”.






