Carnaval 2026: Biografias e Ancestralidade Marcam Apoteose no Rio e em São Paulo

Homenagens a Ney Matogrosso, Rita Lee e Léa Garcia dominam os sambódromos em um ano de resgate histórico e celebração da vida.

RIO DE JANEIRO e SÃO PAULO – O Carnaval de 2026 consolidou-se como o “Carnaval das Biografias”. Tanto na Marquês de Sapucaí quanto no Anhembi, as escolas de samba deixaram de lado enredos puramente abstratos para celebrar ícones que moldaram a identidade cultural brasileira. Entre domingo e terça-feira, o eixo Rio-SP assistiu a um espetáculo de luxo, tecnologia e, acima de tudo, emoção.


Rio de Janeiro: O Brilho de Ney e o Bembé de Nilópolis

No Rio, a disputa pelo título está acirrada, com três grandes destaques que levantaram o público e a crítica especializada.

  • A Metamorfose de Ney (Imperatriz Leopoldinense): A escola de Ramos, com o enredo “Camaleônico”, de Leandro Vieira, foi o grande nome da primeira noite. A aparição de Ney Matogrosso no alto da última alegoria, vestindo uma peça exclusiva e demonstrando vigor aos 85 anos, foi descrita pelo próprio cantor como estar em um “palco 10 mil vezes maior”. A comissão de frente, com truques de ilusionismo, foi um dos momentos mais comentados do ano.

  • O Bi da Beija-Flor? A atual campeã, Beija-Flor de Nilópolis, entregou um desfile impecável sobre o “Bembé do Mercado”. Mesmo sem o lendário Neguinho da Beija-Flor, a azul e branco mostrou que sua força comunitária permanece intacta, celebrando o candomblé de rua com luxo e rigor técnico.

  • Rock e Literatura: A Mocidade Independente emocionou ao homenagear Rita Lee, enquanto a Unidos da Tijuca encerrou os desfiles com uma potente celebração à escritora Carolina Maria de Jesus.

  • chega mais 2026

São Paulo: Ancestralidade e Resistência Negra

No Anhembi, o Carnaval 2026 foi marcado por um forte discurso social e homenagens a mulheres pretas fundamentais para a história do país.

  • Mocidade Alegre: A “Morada do Samba” foi ovacionada com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, em tributo à atriz Léa Garcia. A escola utilizou fantasias que mesclavam o teatro clássico com a estética iorubá.

  • Império de Casa Verde: A agremiação da Zona Norte desfilou o enredo “Império dos Balangandãs”, uma aula sobre as joias criadas por mulheres escravizadas como símbolos de resistência e alforria. O visual dourado da escola foi um dos mais impactantes da temporada paulistana.

  • Gaviões da Fiel: Com o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, a escola da torcida corintiana apostou na preservação ambiental e na sabedoria indígena, trazendo um desfile moderno e visualmente agressivo.


Impacto Econômico e Social

Os números de 2026 superaram as expectativas. O setor de turismo registrou um aumento de 32% em contratações temporárias em comparação ao ano anterior. Além disso, a descentralização dos desfiles no Rio — agora divididos em três dias para o Grupo Especial — permitiu que o público pudesse acompanhar com mais fôlego as 12 agremiações da elite.

“Vimos um Carnaval que olha para o futuro sem esquecer quem pavimentou o caminho. De Ney Matogrosso a Rita Lee, a passarela virou um livro de história vivo”, comentou um dos jurados na saída da avenida.

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