Lei Seca afeta faturamento de bares e restaurantes no Ceará, revela pesquisa da Abrasel
44% dos estabelecimentos acreditam que a Lei Seca prejudica o movimento em seus empreendimentos no dia da votação; o Ceará ainda não decidiu se aplicará a lei no próximo domingo
No próximo domingo, 6, os eleitores cearenses vão às urnas para votar para prefeito e vereador. E, tradicionalmente, o estado do Ceará adota a Lei Seca para o dia das eleições, que consiste na proibição de vendas e consumação de bebidas alcoólicas em locais como bares, restaurantes e estabelecimentos similares de zero às dezenove horas do próximo domingo.
No entanto, a medida é vista com preocupação por parte dos empreendedores do ramo, que, além de viver um momento delicado, terão que lidar com horas sem vender um dos seus principais produtos. De acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE), 44% dos estabelecimentos acreditam que a Lei Seca afeta negativamente o movimento em seus empreendimentos no dia da votação.
Consequentemente, a adesão do estado por parte da lei acaba impactando as contas das empresas do setor. Ainda segundo o levantamento, 40% dos bares e restaurantes acreditam que a eleição vai impactar negativamente o faturamento em outubro.
Até o momento, os principais colégios eleitorais do Brasil (Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais) decidiram por não aplicar a Lei Seca no dia da votação. Apenas cinco estados optaram pela aplicação.
Taiene Righetto, presidente da Abrasel no Ceará, defende a não adesão por parte do estado. “A grande maioria dos estados brasileiros optam por não aderir à Lei Seca no dia da eleição. Em um estado como o Ceará, que já tem um processo eleitoral maduro, é lamentável que ainda exista essa preocupação com a Lei Seca, enquanto a maioria dos estados do país já eliminou essa prática, sem prejuízos à população ou à tranquilidade da votação”, explica.
Setor enfrenta momento delicado
Além de impactar nas contas de outubro, a exigência de cumprimento da Lei Seca nos dias de votação pode piorar uma situação que já é delicada para o setor de bares e restaurantes cearenses
De acordo com o levantamento da Abrasel, em agosto aumentou o número de empresas operando em prejuízo (23%). Além disso, o problema do endividamento por parte desses estabelecimentos ainda apresenta um percentual preocupante. Atualmente, 43% das empresas têm dívidas em atraso, sendo as principais delas relacionadas à impostos federais, estaduais e empréstimos bancários.
“Enquanto a média nacional melhorou em agosto, o Ceará foi na contramão e o prejuízo aumentou, com um número crescente de empresas operando no vermelho. Mais da metade não conseguiu realizar lucro e sofre com grandes dívidas de impostos, ainda acumulados desde a pandemia”, lamenta Taiene.



