Dezembro Vermelho relembra importância da prevenção contra HIV/aids e da adesão ao tratamento
A camisinha ainda é o melhor método de prevenção porque protege tanto para a infecção pelo HIV, como para outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
Apesar dos avanços científicos e sociais, quando se fala de HIV/aids, o tema ainda é cercado de tabus e receios. Muitas pessoas têm dúvidas, medos e carregam estigmas que já não condizem com a realidade atual. Hoje se sabe que, para a infecção pelo HIV, existem prevenção combinada, teste rápido para diagnóstico, tratamento eficaz e que, quando o paciente tem a adesão e manutenção correta do tratamento, pode viver de forma plena, saudável e com qualidade de vida. Com a chegada do último mês do ano, a campanha Dezembro Vermelho surge justamente para reforçar essa conscientização, ampliar o acesso à informação e oferecer respostas seguras sobre o tema.
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) reforça que prevenir, testar e tratar são pilares essenciais para controlar o surgimento de novos casos e garantir qualidade de vida às pessoas que vivem com HIV. Entre 1983 e novembro de 2025, segundo dados da Célula de Vigilância e Prevenção Epidemiológica de Doenças Transmissíveis e Não Transmissíveis (Cevep) da Sesa, a partir dos sistemas Sinan Windows e SinanNet, o estado registrou 27.516 casos de aids em adultos, 473 em crianças e 25.542 casos de infecção pelo HIV.
De acordo com o médico epidemiologista e orientador da Cevep, Carlos Garcia, em 2025, as taxas de detecção de infecção pelo HIV em adultos se mantiveram superiores às de pessoas com aids dos últimos dez anos (2015–2024). “É um reflexo direto da ampliação do acesso à testagem. Isso inclui a oferta do autoteste, que permite que mais pessoas conheçam sua sorologia de maneira rápida e segura”. Lembrando que nem toda pessoa que vive com HIV desenvolve a doença, já que com o tratamento correto, a carga viral pode ficar indetectável.
A médica infectologista Lara Távora, diretora médica do HSJ, afirma que os avanços no tratamento do HIV foram significativos e a cura definitiva permanece sendo o objetivo maior
A médica infectologista Lara Távora, diretora médica do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), unidade da Rede Sesa e referência no assunto, diz que o uso da camisinha continua sendo o método mais eficaz para prevenir o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs).
“A camisinha protege em todas as formas de relação sexual e deve ser utilizada sempre que houver risco de exposição. No entanto, apenas a promoção do preservativo não foi suficiente para conter o aumento de casos nos últimos anos. Por isso, o Ministério da Saúde consolidou a estratégia da prevenção combinada, que integra diferentes formas de proteção. Essa abordagem trouxe um ganho importante para o controle da epidemia, pois reúne o uso do preservativo, a PEP [Profilaxia Pós-Exposição], a PrEP [Profilaxia Pré-Exposição], a testagem precoce — especialmente em gestantes — e o início imediato do tratamento em caso de diagnóstico positivo”, destaca a especialista.
O Ceará tem avançado em iniciativas que ampliam o alcance dessas estratégias. O orientador da Cevep, Carlos Garcia, completa ainda que, em 2025, houve o fortalecimento do TelePrEP e TelePEP, um reforço nesse cenário. “É uma inovação que facilita o acesso à prevenção, sobretudo em regiões remotas do estado. Por meio do teleatendimento, os usuários recebem orientação especializada e acompanhamento para o uso da profilaxia pré-exposição e pós-exposição, ampliando a proteção e reduzindo barreiras geográficas”, explica.



