Indústria cresce 26,8% no Ceará e tem o melhor desempenho do País no 1º semestre

A indústria cearense segue como um dos motores da economia estadual neste ano e alcançou, em junho, o melhor desempenho de 2021 no Brasil, no acumulado desde janeiro: a alta foi de 26,8%, muito acima da média nacional (12,9%) e bem à frente de outros centros produtivos, como São Paulo (17,6%), Rio de Janeiro (4,1%) e Minas Gerais (19,1%).

De maio para junho, o setor avançou 3,8% – este foi o terceiro mês consecutivo de variações positivas na produção industrial cearense. Na comparação com junho de 2020, a indústria do Ceará cresceu 31,1%, sendo que nos últimos 12 meses a alta acumulada foi de 15,2%. Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“No Ceará, no segundo ciclo da pandemia, quando houve a retração das atividades econômicas, o setor industrial  não foi paralisado. Algo que, por outro lado, aconteceu em outros estados. Então, esse fato traz perspectiva de forte recuperação, visto que, no ano passado, houve uma retração muito forte, não só no primeiro semestre, mas durante todo o ano”, observa o economista Ricardo Coimbra, presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE).

Segmentos em alta

O bom desempenho do setor industrial no Estado  foi puxado pelo aumento da produtividade de determinados segmentos. Na comparação de junho deste ano e junho de 2020, tiveram crescimento destacado os itens de fabricação de produtos têxteis (151,8%), preparação de couros e fabricação de artefatos de couro, artigos para viagem e calçados (133,7%), fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (119%) e confecção de artigos do vestuário e acessórios (118,9%).

“Esses setores vêm se recuperando de forma mais efetiva porque estão muito ligados com a exportação cearense, através da comercialização via Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Com isso, esse desempenho pode ajudar no processo de recuperação e retomada das nossas atividades”, analisa Ricardo Coimbra.

Comparações

De maio para junho, a indústria nacional teve variação nula (0%), sendo que apenas cinco dos 15 locais pesquisados apresentaram taxas positivas. Influenciaram nesse resultado as quedas na indústria em São Paulo (-0,9%), no Paraná (-5,7%) e no Pará (-5,7%). De acordo com o IBGE, além do Ceará, somente a Bahia (10,5%), a Região Nordeste (6,4%), o Amazonas (4,4%) e o Rio de Janeiro (2,8%) tiveram alta na produção industrial no período.

Para Ricardo Coimbra, os dados consistentes da indústria cearense nos últimos meses devem ajudar a impulsionar os demais setores da economia estadual, como o comércio e os serviços. “Com o controle mais efetivo da pandemia e o crescimento da imunização, embora ainda em ritmo lento, mas de forma continuada, é provável que os demais setores da economia se fortaleçam, crescendo de forma significativa neste ano e já projetando o cenário de manutenção de avanço para 2022”, analisa o presidente do Corecon-CE.

“O grande desafio para o setor produtivo como um todo é alavancar a comercialização dos produtos, ainda com uma taxa de desemprego bastante elevada, o que dificulta o movimento do mercado interno, assim como a existência de linhas de crédito e financiamento para novos investimentos para o próximo ano”, reforça.

Comércio cearense avança 2,5% em junho, maior alta do Brasil

Em junho, pelo terceiro mês consecutivo, o comércio varejista cearense cresceu, na comparação com os 30 dias imediatamente anteriores. De maio para junho, o setor teve apresentou alta de 2,5%, a maior entre os estados brasileiros. Anteriormente, os índices foram de 7,9% (abril) e 9,6% (maio), de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio, do IBGE.

No trimestre encerrado em junho, a média móvel trimestral do Ceará foi de 6,7%. No acumulado do ano, o Estado apresenta alta de 4,9%, e de 4,4% no acumulado dos últimos 12 meses. No comércio varejista ampliado, que inclui as atividades veículos, motos, partes e peças e material de construção, o volume de vendas se manteve estável em relação a maio.

Na comparação de junho de 2021 com junho do ano passado, a pesquisa apontou predominância de taxas positivas nas atividades pesquisadas no Estado para o comércio varejista e os dez do comércio varejista ampliado: tecidos, vestuário e calçados (76,4%), artigos de uso pessoal e doméstico (8%), combustíveis e lubrificantes (23,2%), móveis e eletrodomésticos (1,2%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (6,6%) e livros, jornais, revistas e papelaria (166,6%).

Em todo o Brasil, de maio de 2021 para junho de 2021, na série com ajuste sazonal, a taxa média nacional de vendas do comércio varejista recuou 1,7%, com índices negativos em 18 das 27 unidades da Federação.

 

 

Fonte: OOtimista

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