Felicidade vem depois dos 60? Por que idosos são mais felizes do que jovens no Brasil e no mundo, segundo pesquisa
Se você ainda não chegou aos 60 anos, uma nova pesquisa que mede o nível de felicidade das pessoas traz duas notícias, uma ruim e uma boa.
A ruim é que há uma estrada de mais insatisfação na sua frente. Mas a boa é que, uma vez nos 60 anos, seu nível de felicidade pode chegar a um patamar que você não vivenciou antes.
A pesquisa inédita Ipsos Happiness Index 2025, que entrevistou quase 24 mil pessoas com até 75 anos em 30 países, aponta os 60 anos como a idade mais provável de se ter uma virada no nível de satisfação com a vida.
O Dia Internacional da Felicidade, estabelecido pelas Nações Unidas (ONU), é comemorado nesta quinta-feira (20/3).
Os resultados corroboram com a chamada “curva em U” que costuma aparecer em índices que medem a felicidade da população no mundo. Isso é: começamos a vida adulta mais felizes, ficamos mais insatisfeitos à medida que envelhecemos, mas voltamos a ser mais felizes ao nos tornarmos idosos.
“Você chega aos 60 hoje em dia muito diferente do que você chegava 30 anos atrás”, diz o estatístico Rafael Lindemeyer, diretor de clientes na Ipsos.
“Sua capacidade de levantar da cadeira, de viver a vida aos 60 anos é muito maior do que era. Com isso, você tem ainda uma plenitude para poder viver bem por muito tempo bem.”
A pesquisa mundial considerou, no Brasil e em outros países com nível de renda semelhante, apenas pessoas a partir da classe média. Ou seja, entre os brasileiros, apenas pessoas a partir da classe C, com renda familiar de R$ 3,4 mil ou mais.
As classes A, B e C hoje representam mais da metade (50,1%) da população do Brasil, segundo uma pesquisa recente da Tendências Consultoria.
Como mostra a própria pesquisa Ipsos, a falta de dinheiro é o principal motivo que contribui para a infelicidade das pessoas.
Isso quer dizer, segundo especialistas com quem a BBC News Brasil conversou, que, caso as pessoas mais pobres fossem incluídas, provavelmente os índices de felicidade seriam menores em todas as faixas.
“Para quem não tem as necessidades básicas atendidas, é muito mais difícil falar de felicidade”, avalia a palestrante e consultora Renata Rivetti, que se especializou nos últimos anos em estudos da felicidade.
“A gente tem que falar como incluir uma camada da sociedade que está sendo excluída de algo que deveria ser um direito básico, que é a felicidade.”
No ranking global da Ipsos, os países em que mais pessoas entrevistadas se disseram felizes são: Índia, Países Baixos (Holanda), México, Indonésia e Brasil.
Já os mais infelizes estão na Hungria, Turquia, Coreia do Sul, Japão e Alemanha.
Mas, diante do grupo pesquisado e das pesquisas que já se debruçaram sobre o tema, o que explica essa felicidade “tardia” na vida?



